Educação Escolar para Pessoas com Surdez
Várias reflexões foram realizadas sobre a
educação escolar de alunos com surdez, há dois séculos existem debates político
e epistemológico entre a aceitação de uma língua ou outra, esquecendo muitas
vezes do potencial dessa pessoa, como se ela não fosse capaz de decidir, ter
suas próprias escolhas. A pessoa com surdez fica limitada biologicamente para a
função perceptiva, no entanto, tem toda uma potencialidade do corpo biológico e
da mente, tornando esta pessoa capaz, como ser de consciência, pensamento e
linguagem e quanto mais cedo a perda auditiva de uma criança for detectada,
tanto maiores serão as suas possibilidades de ter um desenvolvimento global.
“A identificação
precoce da deficiência auditiva possibilita intervenção imediata, oferecendo
condições para o desenvolvimento da fala, linguagem, do social, psíquico e
educacional da criança, permitindo um prognóstico mais favorável.” (Rabinovich,
1997).
Os processos perceptivos, linguísticos e
cognitivos das pessoas com surdez poderão ser estimulados e desenvolvidos,
tornando assim, capazes, produtivos e com potencialidades. Pensando nesta
perspectiva a inclusão escolar tem se tornado promissora, ainda com muitos
desafios a serem superados e rompendo o embate entre gestualistas e oralistas,
pois prejudica o desenvolvimento das
pessoas com surdez focalizando o trabalho da escola apenas nessa língua ou
naquela.
Damázio (2010) nos diz que se somente o uso
de uma língua bastasse para aprender, as pessoas ouvintes não teriam problemas
de aproveitamento escolar, já que entram na escola com uma língua oral
desenvolvida.
Colocando
em cena a pessoa com surdez na concepção pós-moderna, vemos que a tendência
bilíngue se torna um território que se desterritorializa a clausura dessa
pessoa, sob a ótica multicultural.
No
decreto 5.626 de 5 de dezembro de 2005, determina o direito de uma educação que
garanta a formação da pessoa com surdez, onde a Língua Brasileira de sinais e a
Língua Portuguesa, preferencialmente escrita, constituam línguas de instrução e
que ocorra simultaneamente no processo escolar contribuindo em todo o processo
educativo.
Nesse processo de inclusão o AEE tem seu
papel de organizar o trabalho complementar para a classe comum, com propósito
de propiciar autonomia, independência social, afetiva, cognitiva e linguística
para o aluno com surdez.
O AEE acontece em três momentos:
Atendimento
Educacional em libras;
Atendimento
Educacional Especializado para o Ensino da Língua Portuguesa;
Atendimento
Educacional Especializado para o ensino de libras.
Este
atendimento deverá ocorrer em horário contrário ao da sala de aula comum,
diariamente, o professor acompanha o plano de conteúdo oficial da escola de
acordo com série ou ciclo que o aluno está cursando e conta com parcerias como
intérprete de libras, professor de língua portuguesa, demais professores e
equipe pedagógica. Os materiais utilizados precisam ser variados, com imagens
visuais, tudo para facilitar quando o conceito é muito abstrato para o aluno.
Nesta perspectiva o propósito é que o aluno
com surdez tenha as oportunidades para utilizar seu potencial cognitivo, social
e se apropriem dos atos de leitura e escrita.
Referências
bibliográficas
DAMÁZIO, M. F. M.; FERREIRA, J. Educação Escolar de Pessoas
com Surdez-Atendimento Educacional Especializado em Construção. Revista
Inclusão: Brasília: MEC, V.5, 2010. p.46-57.
RABINOVICH, K. Avaliação da audição na criança. In: LOPES FILHO, O. ed. Tratado de Fonoaudiologia. São Paulo, Roca, 1997. P. 265-283.