segunda-feira, 10 de março de 2014

Educação Escolar para Pessoas com Surdez


     Várias reflexões foram realizadas sobre a educação escolar de alunos com surdez, há dois séculos existem debates político e epistemológico entre a aceitação de uma língua ou outra, esquecendo muitas vezes do potencial dessa pessoa, como se ela não fosse capaz de decidir, ter suas próprias escolhas. A pessoa com surdez fica limitada biologicamente para a função perceptiva, no entanto, tem toda uma potencialidade do corpo biológico e da mente, tornando esta pessoa capaz, como ser de consciência, pensamento e linguagem e quanto mais cedo a perda auditiva de uma criança for detectada, tanto maiores serão as suas possibilidades de ter um desenvolvimento global.

“A identificação precoce da deficiência auditiva possibilita intervenção imediata, oferecendo condições para o desenvolvimento da fala, linguagem, do social, psíquico e educacional da criança, permitindo um prognóstico mais favorável.” (Rabinovich, 1997).

     Os processos perceptivos, linguísticos e cognitivos das pessoas com surdez poderão ser estimulados e desenvolvidos, tornando assim, capazes, produtivos e com potencialidades. Pensando nesta perspectiva a inclusão escolar tem se tornado promissora, ainda com muitos desafios a serem superados e rompendo o embate entre gestualistas e oralistas, pois prejudica o  desenvolvimento das pessoas com surdez focalizando o trabalho da escola apenas nessa língua ou naquela.
     Damázio (2010) nos diz que se somente o uso de uma língua bastasse para aprender, as pessoas ouvintes não teriam problemas de aproveitamento escolar, já que entram na escola com uma língua oral desenvolvida.
    Colocando em cena a pessoa com surdez na concepção pós-moderna, vemos que a tendência bilíngue se torna um território que se desterritorializa a clausura dessa pessoa, sob a ótica multicultural.
No decreto 5.626 de 5 de dezembro de 2005, determina o direito de uma educação que garanta a formação da pessoa com surdez, onde a Língua Brasileira de sinais e a Língua Portuguesa, preferencialmente escrita, constituam línguas de instrução e que ocorra simultaneamente no processo escolar contribuindo em todo o processo educativo.
     Nesse processo de inclusão o AEE tem seu papel de organizar o trabalho complementar para a classe comum, com propósito de propiciar autonomia, independência social, afetiva, cognitiva e linguística para o aluno com surdez.
     O AEE acontece em três momentos:
Atendimento Educacional em libras;
Atendimento Educacional Especializado para o Ensino da Língua Portuguesa;
Atendimento Educacional Especializado para o ensino de libras.
Este atendimento deverá ocorrer em horário contrário ao da sala de aula comum, diariamente, o professor acompanha o plano de conteúdo oficial da escola de acordo com série ou ciclo que o aluno está cursando e conta com parcerias como intérprete de libras, professor de língua portuguesa, demais professores e equipe pedagógica. Os materiais utilizados precisam ser variados, com imagens visuais, tudo para facilitar quando o conceito é muito abstrato para o aluno.
     Nesta perspectiva o propósito é que o aluno com surdez tenha as oportunidades para utilizar seu potencial cognitivo, social e se apropriem dos atos de leitura e escrita.

Referências bibliográficas

DAMÁZIO, M. F. M.; FERREIRA, J. Educação Escolar de Pessoas com Surdez-Atendimento Educacional Especializado em Construção. Revista Inclusão: Brasília: MEC, V.5, 2010. p.46-57. 

RABINOVICH, K. Avaliação da audição na criança. In: LOPES FILHO, O. ed. Tratado de Fonoaudiologia. São Paulo, Roca, 1997. P. 265-283.